No dia 4 de agosto de 2025, foi publicado o Decreto nº 12.573, instituindo a Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber).
Mais do que um documento técnico, esse decreto é um marco que pode transformar a forma como o Brasil se prepara para lidar com os riscos e oportunidades do mundo digital — especialmente no campo da educação e da formação de profissionais estratégicos.
Cibersegurança como formação cidadã
Entre seus eixos temáticos, o decreto coloca a proteção e conscientização do cidadão como prioridade, com atenção especial a crianças, adolescentes, idosos e pessoas neurodivergentes.
Na prática, isso significa:
- Capacitar professores e gestores de escolas públicas e privadas para atuarem de forma segura no ciberespaço.
- Incluir temas de cibersegurança nos currículos da educação básica até o ensino superior, garantindo que todos tenham acesso a conhecimentos fundamentais sobre riscos e boas práticas digitais.
- Ampliar a participação de escolas e universidades em fóruns, pesquisas e eventos relacionados à segurança digital.
Esse movimento é importante para formar não somente usuários de tecnologia, mas cidadãos conscientes e resilientes, capazes de proteger seus dados, identificar ameaças e contribuir para um ambiente digital mais seguro.
Soberania digital e infraestrutura tecnológica
A E-Ciber vai além da sala de aula (claro). Ela reforça que a soberania digital brasileira depende de infraestrutura tecnológica sólida e independente. Isso envolve desde data centers seguros e redes de comunicação confiáveis até a capacidade de processar e analisar grandes volumes de dados com autonomia.
E é aí que entra um ponto crítico: formar e valorizar profissionais especializados.
O decreto destaca a importância de investir na formação técnico-profissional em cibersegurança em escala compatível com as necessidades do país.
Isso inclui engenheiros e cientistas da computação preparados para trabalhar com poder computacional em larga escala, talentos que hoje, infelizmente, muitas vezes são subutilizados e pouco valorizados no mercado.
Reconhecer e aproveitar esse capital humano é estratégico para que o Brasil não dependa de soluções externas e possa desenvolver suas próprias tecnologias de segurança, garantindo independência e competitividade.
O desafio da implementação
A Estratégia traça um caminho ambicioso, mas sua efetividade vai depender da capacidade de transformar diretrizes em ações concretas (como sempre o mais difícil é implementar).
Isso exige:
- Investimento contínuo em formação e infraestrutura.
- Cooperação entre governo, setor privado e instituições de ensino.
- Valorização profissional para reter talentos no país.
Em um mundo cada vez mais conectado e vulnerável a ameaças digitais, educação, infraestrutura e soberania tecnológica são peças do mesmo quebra-cabeça.