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  • Estrutura de dados: registros

    Estrutura de dados: registros

    Registros formam uma das estruturas de dados mais tradicionais da computação. No fundo, trata-se somente de organizar informações de um jeito claro e consistente. Registros são conjuntos de dados compostos por partes nomeadas. Eles aparecem em fichas escolares, cadastros, boletins, coleções e em praticamente qualquer sistema digital que conhecemos.

    Essa lógica aparece na habilidade da BNCC Computação EF04CO02, que propõe que estudantes reconheçam objetos do mundo real que podem ser representados como registros e realizem pequenas manipulações sobre essas representações. A BNCC destaca que registros ajudam a abstrair a complexidade, escondendo detalhes para que possamos enxergar um objeto como uma unidade, apesar de ele ser formado por múltiplas partes. A carteirinha de estudante, por exemplo, não é um caos de dados. Ela é um conjunto organizado, nome, data de nascimento, turma, código. Cada campo é um componente. Juntos, eles formam um registro.

    A intenção é formar uma base sólida de pensamento computacional, onde organizar informação é tão importante quanto escrever código.

    E, no fundo, faz sentido. Embora listas, matrizes, registros e grafos compartilhem raízes matemáticas (a Computação não deixa de ser uma matemática aplicada), a forma como visualizamos os dados muda a forma como pensamos sobre eles. Determinadas estruturas favorecem associações concretas; outras pedem abstrações mais fortes. Mostrar diferentes jeitos de estruturar informações abre espaço para que estudantes criem modelos mentais mais flexíveis e sofisticados.

    Para trabalhar registros, faz sentido usar representações acessíveis. Tabelas são uma porta de entrada natural, pois se aproximam do cotidiano, fichas de cadastro, planilhas simples, informações em coluna e linha. Isso pode ser feito usando tabelas impressas, criadas no caderno, planilhas existentes para os mais avançados. A aplicação abaixo foi criada por mim para refletir sobre o conceito de registros.

    Fonte: https://registros-tabela.vercel.app/

    E, ao mesmo tempo, cartões funcionam como outro modo de representar registros, conectando a atividade a coleções e atributos. Cada item da coleção pode ser representado por um emoji ou um desenho, ganhar um nome, uma pequena descrição e um conjunto de características. É o formato mais intuitivo, ideal para estudantes que já lidam naturalmente com coleções, figurinhas, personagens ou objetos organizados por atributos. Aqui, registro é sinônimo de história, identidade e detalhes que tornam cada item único.

    A construção pode ser feita criando cartões no papel, com desenhos dos estudantes, também podem ser feitas com recursos digitais como, slides, ambientes de desenho. A aplicação abaixo foi criada buscando trazer a organização em registros para os estudantes, nela os estudantes criam suas “Coleções”, dão nome para ela, criam seus elementos usando atributos/características, selecionando imagens ou criando suas próprias representações. Ela está acessível aqui.

    Fonte: https://colecao-registros.vercel.app/

    Essas abordagens reduzem a carga cognitiva e aumentam o espaço para exploração. Estudantes podem brincar de organizar, classificar, manipular e transformar registros de forma lúdica e intencional. E esse é o ponto, a intencionalidade pedagógica. As mesmas representações podem servir para estudar atributos, trabalhar comparação, criar pequenas bases de dados ou simplesmente organizar itens para um jogo.

    Independentemente da estratégia escolhida, o objetivo é mostrar que a computação não começa com código. Ela começa com modos de pensar e representar informação. Registros são uma das portas de entrada mais claras para essa compreensão, pois aproximam a lógica computacional do mundo concreto que as crianças já conhecem, permitindo que enxerguem estrutura onde antes havia apenas dados soltos.

  • Estratégia Nacional de Cibersegurança (recorte para educação)

    No dia 4 de agosto de 2025, foi publicado o Decreto nº 12.573, instituindo a Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber).

    Mais do que um documento técnico, esse decreto é um marco que pode transformar a forma como o Brasil se prepara para lidar com os riscos e oportunidades do mundo digital — especialmente no campo da educação e da formação de profissionais estratégicos.

    Cibersegurança como formação cidadã

    Entre seus eixos temáticos, o decreto coloca a proteção e conscientização do cidadão como prioridade, com atenção especial a crianças, adolescentes, idosos e pessoas neurodivergentes.

    Na prática, isso significa:

    • Capacitar professores e gestores de escolas públicas e privadas para atuarem de forma segura no ciberespaço.
    • Incluir temas de cibersegurança nos currículos da educação básica até o ensino superior, garantindo que todos tenham acesso a conhecimentos fundamentais sobre riscos e boas práticas digitais.
    • Ampliar a participação de escolas e universidades em fóruns, pesquisas e eventos relacionados à segurança digital.

    Esse movimento é importante para formar não somente usuários de tecnologia, mas cidadãos conscientes e resilientes, capazes de proteger seus dados, identificar ameaças e contribuir para um ambiente digital mais seguro.

    Soberania digital e infraestrutura tecnológica

    A E-Ciber vai além da sala de aula (claro). Ela reforça que a soberania digital brasileira depende de infraestrutura tecnológica sólida e independente. Isso envolve desde data centers seguros e redes de comunicação confiáveis até a capacidade de processar e analisar grandes volumes de dados com autonomia.

    E é aí que entra um ponto crítico: formar e valorizar profissionais especializados.

    O decreto destaca a importância de investir na formação técnico-profissional em cibersegurança em escala compatível com as necessidades do país.

    Isso inclui engenheiros e cientistas da computação preparados para trabalhar com poder computacional em larga escala, talentos que hoje, infelizmente, muitas vezes são subutilizados e pouco valorizados no mercado.

    Reconhecer e aproveitar esse capital humano é estratégico para que o Brasil não dependa de soluções externas e possa desenvolver suas próprias tecnologias de segurança, garantindo independência e competitividade.

    O desafio da implementação

    A Estratégia traça um caminho ambicioso, mas sua efetividade vai depender da capacidade de transformar diretrizes em ações concretas (como sempre o mais difícil é implementar).

    Isso exige:

    • Investimento contínuo em formação e infraestrutura.
    • Cooperação entre governo, setor privado e instituições de ensino.
    • Valorização profissional para reter talentos no país.

    Em um mundo cada vez mais conectado e vulnerável a ameaças digitais, educação, infraestrutura e soberania tecnológica são peças do mesmo quebra-cabeça.